cartola
Chorou o samba no final da feira – e a gente, sem eira nem beira, continuou a cantar pela vida afora.
Saímos a sorrir sempre em busca do que chamamos de fé.
Nas pessoas. Nos amigos. Nos desconhecidos. Na mocidade, perdida que está.
Abrimos um largo sorriso, como quem espera um novo amor.
Sempre na esperança de nunca mais esperar pelas aves que voam a outros ninhos e não voltam mais.
Que a saudade nos desperte a inspiração do poeta que preenche seu vazio com sussurros alheios. Como amantes que afogam o tempo que sobra em cada novo copo.
Rezamos ao final da tarde a súplica inaudível dos que nos cruzam caminhos.
Que timidamente derramam suas lágrimas sem amor, sem ser ator.
Que todos saibam que a natureza nada tem a ver com as trilhas que escolhemos.
Onde quer que fiquemos, que sejamos felizes e levemos na mente a leveza de um dia nublado do final de outono.
As reviravoltas da vida trazem na brisa do mar os conselhos que preferimos não ouvir, pois poucos sabem daquilo que se esvai antes que tudo se acabe.
E que termine como a música de Cartola, que de tão triste, é feliz.

