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Hey, Você!

Hey, você!
Você mesmo aí, que tá parado olhando a banda passar.
Que enxerga tudo, mas não entende o porquê de nada.
Que espera respostas diferentes ou apenas silêncio no…

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hey, você!

Hey, você!
Você mesmo aí, que tá parado olhando a banda passar.
Que enxerga tudo, mas não entende o porquê de nada.
Que espera respostas diferentes ou apenas silêncio no meio de tanta hipocrisia.
Você que furta poucos segundos do dia pra brincar com cachorro na rua sem se preocupar se o bichano está sujo. Se tem pulga. Se tem doenças.
Você que não se cobra por encaixar-se na sociedade doente.

Hey, rapaz!
Você mesmo. É você, do cabelo aí, que anda por todo lugar dançando e cantando e tropeçando nas calçadas tortuosas da cidade mal cuidada, pingando sobre os obstáculos do caminho sinuoso o suor de quem tenta viver de arte. Que não acha que “faz parte” as mazelas dos oprimidos e não se entope de comprimidos convencionais para calar a voz que grita pelas tuas entranhas.
Você que carrega consigo uma bolsa transbordante de alegria e paz, e que mesmo diante da eminência de julgamentos, não reprime o abraço, o choro, o ombro, o amor.

Ô sinhô!
Peraí!
Volta aqui que eu preciso lhe falar.
É… tu mesmo… que abriu mão da grana, dos cargos de confiança, da rotina promissora e da vida segura. Das garantias. Das projeções de futuro sem risco.
Tu que achou muito fácil largar a vida mansa e se dedicar a uma luta que já começava perdendo. Que encarou de peito aberto esse mundão insano e não refugou quando a água batia no joelho. Que abriu o coração e foi condenado pela sua sensibilidade.

Hei, vocês aí!
É, pô.. Vocês todos aí…
A do cabelo curto. O esquisitão da barba malfeita. A guria que faz careta imitando os outros sem se preocupar que todos são fotografados o tempo todo hoje em dia.
Vocês todos, que se sentem diferentes, mas felizes.
Você que gira seu bambolê em todo canto, haja câmera ou nem haja luz. Haja gente ou somente pássaros, mas gira, gira, gira e gira.
Vocês que não encontraram pertencimento em muitos lugares, mas que aprenderam que estar em apenas um canto não enriquece o coração.
Você que quebrou a cara, cansou de dar cabeçada, mas não desistiu de encontrar o sentido da vida – que não é nada daquilo que insistiram em te dizer que era.

Você, todo estranho, com sonhos que não sabe quantificar. Com uma imaginação que ninguém será dia algum capaz de descrever. Que sonha com igualdade, respeito, empatia, amor e união.

Você que nasceu orgânico. Vivo. Pulsante!
Que cresceu fora de uma curva que nunca existiu de verdade, mas que foi concebida a fins de nos separar. Categorizar. Escalonar.

Você que se sente estranho, simplesmente porquê sempre foi coração de mais e razão de menos.

A você que se sente estranho: HELLO!

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