ruptura
Uma opinião fora de hora.
Uma experiência que não deu certo.
Uma aberração.
O fato de não fazer parte desse todo e disso tudo não pertencer a você.
Então se tranca e chora.
Um pássaro que se perdeu do bando.
Um trem descarrilhado sem freio.
Um andarilho sozinho batendo de porta em porta.
Um coração partido.
O segundo que antecede uma colisão de carro.
O pânico. A saudade. A sede de vingança.
A falta de pertencimento.
O filho, pai ou bastardo que não concretizou os planos da família.
O pregador na Praça da Sé – incólume e inaudível.
A música que a rádio nunca tocou.
A pintura perdida.
A lei não aprovada.
Você é a mentira que nem você acreditou.
A prostituta que se perdeu do amor.
O bêbado suicida sem corpo.
O sonho que não se realizou.
O medo. O escuro. O náufrago das esperanças.
A casa que pegou fogo e virou cinzas.
A solidão que virou uma corda no pescoço.
O ócio. A indecisão.
O remanso. O tédio.
O jogador e seu whisky entorpecente.
O marido impotente.
O mendigo indigente.
A fúria do pai que perde um filho.
Você é aquele que anda na linha tênue entre o conformismo e o desespero.
Entre a sobriedade e a embriaguez.
Entre o comum, vulgar e normal e a fuga do cotidiano.
Você é só mais um à procura de alguém diferente, que te dê uma resposta inesperada e te surpreenda diante das pequenas coisas do dia a dia. Que entenda uma ironia e não se esconda ao menor frio na barriga. Que abrace forte e não solte diante da menor das brisas.

