por tudo e apesar de tudo
por tudo, e apesar de tudo
estamos cansados
numa visão simplista, anestesiada
cansamos daquilo que, goela abaixo
sempre nos coube
com resignição
cansamos das balas perdidas
do pigarro
do espasmo ininterrupto em nossas pálpebras
do soluço contido
do choro, grito, mágoa, dor, riso
contidos
limitaram nossa forma de querer
decidiram por nós
abriram mão da liberdade para cessar a sua e empurraram…
você ao fosso
a compaixão ao precipício
e todas essas pessoas
o que fazem todos os dias?
não querem muito
não querem tão pouco
o vidro embaçado
o semblante pueril
os encontros e desencontros
de gente no altar
de choro na cela
de sentidos inesperados
da flor que nasceu nos escombros
cinza, crua, faminta de vida
uma muda muda
cessaram nossa voz
trouxeram outra vez
os. mesmos. monstros. do. passado.
transpuseram algo sobre a vida
sobre a vida
impuseram conveniências,
o social, o ciclo vicioso
apontaram erros e partiram
o tempo
a guerra
a falsa união
o medo
o entregar-se ao caminho sinuoso
à falha esquiva dos obstáculos
a perda
o amargo sabor das interrupções
do gozo
do amor
da septuagésima tentativa

