eu não sei
De repente, tudo vira.
O que estava em paz se torna uma cena que não sai mais da memória. Você tenta apagar. Bebe, desabafa, chora. Mas continua lá.
Em um solavanco abrupto, inevitável, a vida te mostra o que ela é.
Um gato pula pelo portão e atravessa a rua fugindo de um cão.
Nós vemos nossos cães o tempo todo, sedentos pelos medos que deixamos pelo caminho.
No caminho que não sabemos para onde vai.
Nas dores que insistimos em esconder.
Um instante de descuido… e POW!
Tudo se acaba. A solidão começa.
A chuva cai com força e sem vergonha, sem pudor.
A rua se esvazia. A mente corrói.
Um bêbado tropeça na guia das calçadas e ninguém sabe como consegue manter-se em pé.
Seria eu este bêbado, em tantos dias que ainda me restam alguns trocados?
Poderia algo cessar a dor?
Uma música.
Um espelho.
Uma faca.
Ou o encontro com aquilo que buscamos em cada pedacinho de vida, nos esgueirando por entre mundos e versos, talvez torne finita essa busca por um sentido para isso tudo.

