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À Covardia

Um brinde aos que partiram partindo corações.
Aos que entraram em parafuso no desuso do dia a dia.
Aos que mergulharam na fuga maluca da sanidade.
Aos que estão chegando, sonhando…

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à covardia

Um brinde aos que partiram partindo corações.
Aos que entraram em parafuso no desuso do dia a dia.
Aos que mergulharam na fuga maluca da sanidade.
Aos que estão chegando, sonhando, definhando.

Um abraço coletivo na injustiça social
Nos trens empanturrados de sonhos vazios e sombrios.
Um aperto de mão no cárcere amargo e mofado dos poetas solitários.
Um tapa nas costas da hipocrisia. Da humanidade de mente vazia.

Um grito de liberdade, de saudade, de medo da maldade.
Uma expressão de horror, de amor, de dor, de torpor.
O último suspiro de um pássaro quase morto caído ao chão.
Do chão que se perde com a traição cruel e sem perdão.

Um salve ao índio sem terra, maltratado, indigente, impotente.
Ao choro do órfão no dia dos pais. Aos países sem paz.
Ao coração amedrontado com medo do estupro.
Ao bandido atrás do muro. A quem só fica em cima do muro.

Da justiça tardia.
Da covardia.
Da melancolia.
Da carapuça que nos servia.
Que ainda nos serve.
Que ainda usamos.
E aproveitamos.

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