de falsa simetria
À primeira vista, aquela casa de esquina parece perfeita. Intacta. Incapaz de ter sofrido qualquer efeito do tempo. E mesmo após um olhar mais demorado não se vê rachaduras ou sinais de umidade.
Quando se entra continua exatamente como aparentava. Tudo é polido, brilhante. Há cor!
A luz entra pelas janelas largas de vidro. Os quartos são espaçosos, com mobílias antigas e um ar acolhedor. Aliás, todos os ambientes parecem estar ansiosamente dispostos a receber alguém.
Mas há um porão.
Há bagunça.
Há nele uma desordem e seria necessário tempo demais.
A iluminação é ruim. Poeira. Mau-cheiro. Farpas de madeira e tudo parece difícil.
Houve um tempo em que se arriscaram a limpar, mas foi tempo demais e continuava escuro. E sempre que passa tempo demais…
O estranho é que ninguém o visita há algum tempo, mas os objetos velhos parecem continuar se acumulando, como se de alguma forma o abandono o tornasse cada vez mais impossível.
A própria porta parece já estar um pouco emperrada.
A casa continua intacta.
Mas há mato.
Há bastante mato crescendo.

